Carregado de simbolismo, o disco já nasce premiado, com Melhor Música Instrumental no Festival da Educadora FM, e traz uma homenagem ao pintor e compositor Giberval Melo

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A tanger notas e aboiar melodias. É com esse espírito de sertão musical o primeiro álbum oficial do grupo Matita Perê, Reino dos Encourados. O disco, gravado e mixado entre fevereiro e novembro de 2016, em Feira de Santana e Salvador, vem com uma especial homenagem ao pintor e compositor feirense de alma Giberval Melo (1939-2006).

Rafa_estudioFormado pelos músicos e compositores Borega, Luciano Aguiar e Rafael Galeffi, o Matita – que está há 17 anos na estrada e é uma referência pela incrementação harmônica e pelos arranjos originais – buscou numa fantasia sertaneja a inspiração para o seu mais novo trabalho, um tributo a Feira de Santana e à cultura nordestina.

O disco nasceu de um desafio lançado pelo presidente do jornal Tribuna Feirense, o médico César Oliveira, que queria apoiar um registro fonográfico de composições de Giberval, pai de Borega. O grupo aceitou o desafio e passou a desenvolver um álbum em que a obra matita dialogasse com a do homenageado, artista de olhar especial para as temáticas do vaqueiro e da existência humana diante da aridez do sertão, como bem exemplificam as toadas Andarilho e Carro de Boi e a guarânia de sotaque nordestino Velho Sertanejo, que integram o CD.

Foi a partir dessa atmosfera que surgiu o Reino dos Encourados, reverência aos ritmos de grande apreço ao nordestino e também ao Portal do Sertão, antigamente conhecida como Santana dos Olhos d’Água, por conta das lagoas que abasteciam tropeiros e boiadas. A cidade foi o nascedouro do projeto e local onde a maior parte dele foi realizado.

O também feirense Borega interpreta quase todas as melodias do pai. A exceção é o samba-canção Desejos, que recebeu a voz mais grave de Rafael Galeffi, e o xote Timidez, no qual Borega divide os vocais com o irmão Luizinho Melo, vocalista da banda Geração Nômade.

Luciano_estudioPRÊMIO – Carregado de simbolismo, Reino dos Encourados já nasce premiado, pois a faixa Baião Bachiado, de Borega, foi vencedora do Festival da Educadora FM 2016, como Melhor Música Instrumental. Há ainda um pequeno trecho de Andarilho na voz de Giberval Melo, resgatado de uma gravação caseira em que o autor é acompanhado ao violão por seu irmão Marcelo Melo (1949-1984).

Borega, que ainda assina os arranjos e a direção do trabalho, é autor também de Decisão, parceria com o poeta Roberval Pereyr, e de Rosiana, em parceria com o matita Luciano Aguiar. Essa última, que evoca o universo de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, recebeu nova e definitiva versão no Reino dos Encourados, já que havia sido gravada no disco demo Matita Perê, de 2001, bastante executado em rádio e com ótima repercussão.

O xote Licor de Jenipapo, de Luciano Aguiar, também ganhou uma participação especial. A cantora Priscila Magalhães interpreta a canção ao lado do autor, que ainda assina e canta a misteriosa Passarinho, completando o álbum.

Borega_estudiocantoCONVIDADOS – Entre os vários músicos que integram o projeto, estão os feirenses Rogério Ferrer, que toca acordeon em metade das faixas, e Anderson Silva, responsável pelo contrabaixo em Decisão. Ambos fazem parte do grupo instrumental Quaternária.

São destaque no disco as participações do maestro João Omar – filho do compositor e cantador Elomar –, tocando violoncelo em três faixas, e do sueco Sebastian Notini – radicado na Bahia desde 1998 –, responsável por toda a parte percussiva do CD.

Vale ressaltar ainda o trabalho de Antônio Augusto Jr., técnico de gravação, mixagem e contrabaixista em três faixas, que, juntamente aos matitas, foi um dos responsáveis pela sonoridade do álbum. Também trouxeram beleza ao Reino dos Encourados o clarinetista Ivan Sacerdote, os flautistas André Becker e João Liberato, os contrabaixistas Ldson Galter e Alexandre Montenegro, a violonista Jana Vasconcellos e o cavaquista Dudu Reis.

A arte do encarte é assinada pelo designer Sidhartha Gautama, filho do artista plástico Vivaldo Lima. Sid baseou-se em pinturas e ilustrações de Giberval Melo escolhidas especialmente para o disco, que foi masterizado no Rio de Janeiro, por Luiz Tornaghi, e teve apoio do jornal Tribuna Feirense, na figura do Dr. César Oliveira.

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